Sobre o Anônimo Incógnito



Anônimos Incógnitos somos todos. Não há identidade que nos caiba, não há definição que nos sustente, ilesa. Ninguém sabe o que somos de fato, de todo, de improviso ou plano traçado. Testemunha de tudo que penso e que faço, vivo me perdendo de vista nesse labirinto de espelhos por não me reconhecer. Falho tentando ser aquilo que sou.
Precisamos do outro pra saber o que não somos. No reflexo desse outro é que reconhecemos a mínima parte de nós que se permite reconhecer. Reconhecimento breve e vago. Entre o que sou e o que torna o outro, limites já não ousam mais se definir. E tudo parece se conectar, prosseguir, reticências sem fim...
As conversas a seguir têm a onipresença de um anônimo incógnito que nunca é o mesmo. Mas há uma imutável fé no amor que o faz prosseguir, de diálogo a diálogo, de encontro a encontro. Um amor que lhe é desconhecido, indefinível, improvável, um amor que ele tenta reconhecer ao mesmo que tempo que se põe à sua prova. 
Afinal, é preciso ter fé em alguma coisa. De preferência, em alguma coisa que nos inclua.